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Feijó, 4 de Julho de 2005

Cordiais saudações, Motumbá , atrevo-me enviar este Mail , para em primeiro lugar dar os parabéns a todos os envolvidos, à apresentação de minha (nossa) crença no meio de informação mais global que existe, a Net , o meu parabéns a todos. Em segundo lugar deixe-me apresentar, sou o João António O. Júnior, fui "raspado", " catulado ", "carreguei adose ", meu Orisa "gritou" o orukó , e com muito orgulho digo: "Sou Feito no "Santo", fui renascido e a mim dado meu nome JÉSÌROKÚNBI, fiz um juramento, com o Okutá de meu Orisa , de defender o nome de minha religião, meus irmãos, meu asé . Que leva-me a terceira parte e razão deste meu Mail (talvez atrasado mas a tempo do tempo):

Ora bem, de quem é a culpa? - Curto e grosso, do PODER MEGA FINANCEIRO, sim! Pois estes que bradam a bíblia como "código penal", na verdade são pura e simplesmente VIGARISTAS, CORRECTORES DE VENDAS DE TERRENOS CELESTES, que precisam de uma bandeira (ver os nazis), para mobilizar a grande massa de pessoas (com o cérebro lavado previamente lógico), de que nossa crença é maquiavélica, e eles como "detentores do acesso" ao paraíso e porta vozes directos do "Deus", assim vão intimidando, prometendo, arrebatando com suas "frenesi", as pobres, frágeis, ignorantes, tacanhas, "ocas" mentes de seus seguidores, que não se fazem de rogados em esboçar generosas "propensas" financeiras, aos simples comandos previamente impresso em suas mentes, de DÊEM MAIS, É PRO SENHOR!!!, DÊEM MAIS É DEUS QUEM PEDE!!!, DÊEM MAIS É PARA SEREM SALVOS!!!, e com este "lamiré" todo, lá vão arrecadando fortunas, engordando assim o mielheiro .

Com isto, surge a possibilidade de pertencerem a grupos económicos de grande envergadura, nas áreas mais expressivas como exemplo a dos " midias ", esta então que nem precisa falar, pois quem controla um canal de televisão tem uma janela em aberto a milhares de lares a mercê dos massivos programas de lavagem mental, onde cerebralmente é impressa a propaganda teofoba , sim pois ao pregar contra uma crença há aqui uma real mostra de seus temores e aversão ao sagrado.

Mas necessitam desta "bandeira", para dar uma meta, mostrar um "inimigo" (que não existe), e assim criar o elemento chave para a cruzada "santa", atiçando assim os "seres" mentecaptos, escravizados por palavras impressas em um livro chamado bíblia e que tem milhões de interpretações, que ouvidas por bocas menos honestas e com habilidades em as manipular, formam colunas de um exercito teológico prontos a lançarem-se contra o alvo apontado, nós. que cometemos o pecado de adorar o sagrado chão em que pisamos, os vegetais que nele cresce, os animais que deles vivem e o próprio ar que inclusive eles mesmos respiram, pergunto; não foi Deus que tudo isto criou? E é óbvia a resposta - SIM! agora o que importa se eu chamo a Deus de OLUDUMARE, JEHOVA, JAVE, GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, e por ai afora? Não terá a mesma essência criadora e benévola? Não seríamos filhos (todos) desta criação? Para um Pai há filhos de primeiras, segundas e terceiras classes? E se assim o fosse não seria mais fácil aniquilar logo nossa existência? Meus amigos e meus irmãos, tudo isto é claro e visível, é o dom mais claro e nobre em que fomos presenteados pelo nosso criador, a inteligência , o que nos difere dos nossos co-habitantes terrenos os irracionais, agora pasmem, alguém já viu uma matilha de cães perseguir e tentar dizimar outra raça desta mesma espécie? Ou alguma outra espécie irracional de animal tentar subjugar outra?

A mim foi-me dado o livre arbítrio, não passei procuração alguma a quem quer que seja para dirigir a forma que encaro Deus, o direito que a "eles" é dado termina precisamente onde começam os meus, sou livre e não pedi a ninguém que guiasse minhas convicções e crença, por isto no mínimo e para começar cometem o crime de tentativa de roubo, injurias, calunias, depredações, preconceitos, xenofobia, nas formas dolosas e premeditadas. Quero os meus direitos de cidadão livre, façam valer e executem a lei, Os artigos 1º e 20 da Lei nº 7.716/89.

Mais uma vez quero congratular e dar os parabéns as irmãos, por mais este espaço livre para falar, defender e crescer no ase.

Autor: João Júnior

Fale com o João Júnior: Jesirokunbi@okitalande.com.br

Ibeji - 11/05/2005

Na Nigéria, ter filhos gêmeos era considerado castigo dos céus. Em algumas regiões, considerava-se que as ajés lançavam feitiços na barriga da mulher grávida para que nascessem gêmeos. Assim, as crianças eram sacrificadas porque se acreditava que elas tinham espírito ruim, espírito mau e os seus pais eram apedrejados. Os pais, então, para não morrerem apedrejados, levavam as crianças para um bosque e matavam-nas. Este comportamento era considerado normal e não constituía ofensa aos orixás.

Uma inglesa, de nome Mary Slessor, convertendo-se ao culto, interviu no modo como eram tratados os gêmeos e conseguiu modificar o comportamento da nação inteira. Após sua interferência, os gêmeos passaram a ser acolhidos e serem tratados com naturalidade, representando hoje, boa sorte e fortuna. Após oito dias de um parto gemelar, os pais fazem uma festa como ato de agradecimento e contentamento, quando então todos devem comer e dar presentes.

Quando um dos gêmeos morre com pouca idade, o costume exige que uma estatueta (ere) de mais ou menos oito polegadas e do mesmo sexo da criança morta, seja esculpida e que a mãe a carregue. Estas estatuetas são enfeitadas com pulseiras e anéis de contas e tem por finalidade impedir que o sobrevivente permaneça ligado ao defunto e também possa dar ao espírito do morto um objeto no qual ele possa fixar-se, sem perturbar aquele que sobreviveu. Mais tarde, o gêmeo sobrevivente, ao chegar à idade adulta, cuidará de oferecer uma parte do que ele come e bebe ao irmão. Se ambos morrerem, esculpe-se as estátuas dos dois irmãos que passarão a ser objeto de culto familiar e passam de geração a geração, assumindo o papel de espíritos tutelares da linhagem.

No Brasil, o termo ere (cujo significado é imagem) é aplicado de forma inadequada. Quando um médium está incorporando com um orixá em estado infantil, dizem que está com ere. Nada menos verdadeiro. Ere é uma estatueta que representa o gêmeo falecido.

Os gêmeos são objetos de um culto. Não são orixás nem voduns. Os nomes dados aos gêmeos são: Taywo (Ti-aiye-wo = para experimentar o mundo) e Kehindé (kéhìn dé = vir atrás). Outras vezes recebem o nome de Edun e Akoron e a criança que nasce após eles é chamada de Idoun.

Os escravos alforriados que voltaram ao Dahomé (hoje Benin), influenciados pelo sincretismo brasileiro, introduziram no sul do país, principalmente na cidade de Ketonou, o culto aos gêmeos São Cosme e São Damião, criando a Associação Fraterna dos Gêmeos. No dia 27 de setembro, os membros dessa sociedade realizam um piquenique em homenagem aos gêmeos.

Autor: Guaraci Soares da Silva

professor do Curso de "Mitologia dos Òrìsà/Idioma Yorubá"

Fale com o Professor Guaraci: guaraci@okitalande.com.br

Religiosidade Afro-Brasileira - 28/04/2005

Os primeiros registros sobre a presença de negros no Brasil datam de 1559 quando a regente Dona Catarina autoriza a aquisição de cento e vinte escravos congoleses, por engenho, com a finalidade de proteger a indústria açucareira da colônia. Passados cinqüenta anos, o comércio intensificou-se e, segundo historiadores, chegou a mais de dez milhões de negros de aproximadamente 280 etnias diferentes, trazidos para o Brasil.

Muitos nobres e sacerdotes foram aprisionados, trazendo em suas mentes os costumes e a religião que participam da formação cultural brasileira. Aqui, as famílias eram separadas de acordo com o interesse dos compradores e as etnias iam se mesclando. Nos engenhos, os senhores proibiam a prática religiosa, por acreditarem tratar-se de bruxaria, adoração a entidades pagãs, obrigando o negro a participar dos ritos cristãos e a procurar alternativas para cultuar suas divindades. Surge o sincretismo.

Os negros, para não verem seus ícones destruídos, passam a ocultar seus objetos sagrados atrás das imagens dos santos católicos, ou dentro deles, quando feitos de madeira. Esta é a origem da expressão "santo do pau oco", que também serviu para denominar o roubo das riquezas da colônia, utilizando-se o mesmo método.

Muito se perdeu do culto aos orixás no novo mundo. Cultuam-se hoje aproximadamente dezesseis orixás dentro de centenas que são reverenciados ainda hoje na África. Lamentavelmente, pela miscigenação, introduziu-se, no culto aos orixás, o folclore dos europeus, dos índios brasileiros e do próprio sincretismo. Um exemplo típico é a roupa utilizada pelas mulheres durante as festas religiosas. As conhecidas baianas não fazem, nem de longe, qualquer referência aos trajes africanos, cujos desenhos servem de identificação da etnia do usuário. A vestimenta de baiana é uma roupa usada pelas sinhás da época, que, por sua vez, copiavam o estilo europeu.

O importante é que a religião afro-brasileira, a que denominamos candomblé, seja respeitada e incentivada para que perdure, pois a cultura africana faz parte do dia-a-dia de cada um de nós, e está presente em nosso vocabulário, em nossa culinária, na morenice do povo brasileiro.

Todos que se interessam pela cultura africana e pelo culto aos orixás devem ler, pesquisar, discutir, trocar informações, difundir seus conhecimentos, para que o saber se multiplique com qualidade e que todos tenham sempre em mente que uma pessoa pode ensinar tudo o que sabe e, mesmo assim, ficar com tudo o que ensinou.

Autor: Guaraci Soares da Silva

professor do Curso de "Mitologia dos Òrìsà/Idioma Yorubá"

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Bolar no Santo - 14.04.2005

"Bolar", ou "cair no santo", é indício da necessidade da futura iniciação. Geralmente acontece quando a pessoa participa de um "toque" e o orixá a incorpora, ainda no estado denominado de "bruto".

A pessoa passa por um desmaio ou perda dos sentidos. Nesse momento o Òrìsà se faz presente. Por não ter sido devidamento feito, não há reações, tais como, andar ou algum tipo de comunição, mesmo através de simples atos como de balançar a cabeça respondendo as perguntas feitas.

Nessa hora, a pessoa é normalmete recolhida ao quarto de santo, onde o zelador reza, e faz desta forma, a comunicação com o Òrìsà, dizendo entender o que o Òrìsà quer de seu filho.

O filho é acordado, e se explica qual a vontade do Òrìsà. Ressalta a responsabilidade de ser filho de um Òrìsà. Chegando a um comum acordo, determina-se o tempo para que possa fazer os devidos preparos para que o mesmo seja iniciado.

Há casos em que o Òrìsà já tenha dado vários avisos ao filho em questão, e o mesmo não aceita mais dar tempo a seu filho. Nesse momento o filho do Òrìsà é levado imediatamente ao ronko, e ficará recolhido sem contato com mas ninguém, salvo pessoas da família que devem ser avisadas sobre a questão e que ajudarão o iniciado, na compra dos materiais necessários para a feitura.

Depois de acordar o filho, o zelador consulta Ifà para fazer o reconhecimento do Òrìsà para que possa gerar a lista de materiais necessários a feitura, tais como, folhas, quartilhões, ferramentas, pratarias, fios etc.

Já recolhido, o abiã é apresentado a todos na famíla e passa a aprender as práticas ritualísticas de seu novo Axé.

Durante esse tempo o Abiã aprende de que forma deve proceder dentro do Axé e conhece a hierarquia da casa. Aprende todos os comprimentos feitos e as pessoas as quais tem a suas funções específicas, tais como, Ekeji, Ogãn, e o porque dos respeito com tais pessoas. Aprende a cantar aos Òrìsàs, cores, rezas, comidas, ervas e cantigas.

Inicia-se então na vida do Abiâ, uma grande caminhada em busca do conhecimento que NUNCA ACABA.

Àsè Ò!

Equipe Okitalande

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Tempo e a Educação - II - 13.04.2005

... Tive a insatisfação de ler em a Folha de São Paulo e no Agora, dois jornais de grande circulação em São Paulo e do mesmo grupo, reportagens que faziam menção à perda do vôo para o cortejo fúnebre do Papa por "Mãe Nitinha D'Oxun". As duas reportagens falavam ressaltando dois aspectos que gostaria de abordar com vocês:

1. - O texto falava "Candomblé perde seu representante".

Volto a dizer que perdemos muito mais que isso. Perdemos respeito e oportunidade. Nós (o candomblé) perdemos, não esta "senhora", que no mínimo deveria vir a público pedir desculpas e assumir que a responsabilidade é só dela;

2. - Disse ainda esta "senhora" ao reporte do grupo folha: "não estou triste de ter perdido o vôo - por "ele" não a ter substituído por outro babalorixá ou iyalorixá".

Vergonha, egoísmo. Só é capaz de ver o seu próprio umbigo. Envergonha-nos a todos, e só é capaz de olhar para o seu próprio espelho, exemplo digno de entrar para os canais de nossa história como uma atitude deplorável, a qual em nome de meus filhos carnais e de santo repudio.

Passo a palavra para meus irmãos mais velhos e aguardo uma retratação pública desta "senhora".

Togunojibara - Colaborador Direto do News Okitalande

Fale com Togun: togun@okitalande.com.br

O Tempo do Relógio e a Educação - I - 07.04.2005

A algum tempo venho observando o tempo que o povo que cultua tempo. Perdem seu tempo, perdem o tempo dos outros, perdem o tempo certo de plantar novos caminhos, nova mentalidade, de ampliar o campo de trabalho, de conhecer melhor nossa cultura. Perdem o tempo de falar o que todos querem, desejam e precisam ouvir. Do Òrìsà nascer, festejar vida, de ajudar a quem precisa.

Perde o tempo de colher , novas oportunidades, novos horizontes, respeito, prosperidade, saúde e paz.

Ao longo dos anos nos acostumamos, quando convidados à uma festa, uma saída enfim, para qualquer evento dentro do asé, e em uma grande maioria dos " Ilê asé " uma total falta de respeito com os horários marcados para o início destes eventos.

Seus convites dizem, às 21h00, e todos já sabem que acontecerá por volta das 23h00. Ora isto é pura falta de respeito com os convidados, de consideração com os próprios filhos do ilê, tenho observado este tipo de problema até mesmo para o atendimento de clientes.

Agora um fato chamou minha atenção para esta falta de administração ou de respeito para com o tempo, sem entrar no mérito da questão ou criticar, esta " mãe de santo " que perdeu o avião presidencial para ir ao cortejo fúnebre do Papa na comitiva do presidente Luiz Inácio lula da silva.

Percebamos, pois, a importância deste convite:

-O presidente reúne um grupo ecumênico representativo de todas as religiões consagradas no Brasil;

-O presidente dá-nos voz, no convite feito à " mãe de santo " que desta forma torna-se a mais alta representante oficial da cultura afro-brasileira neste evento;

-Poderia divulgar nossa religião (da forma cultuada no Brasil) para o mundo no maior evento internacional do ano;

-Ela perde o vôo e todos nós que já temos a fama de não dar importância ao horário, levamos o conceito que este caso deixa. Todos perdemos o avião, todos perdemos a oportunidade;

-Certamente ela deve ter pensado isto é " coisa feita ", mais seria ela imprudente a ponto de não se cuidar.

Não cabe mais para nós, sermos taxados de irresponsáveis, tal qual fossemos um grupo de mulambos. É preciso tratar todos os assuntos de nossa religião com responsabilidade e respeito.

Desculpem-me, pois neste caso me senti desrespeitado por esta senhora, assim como me sinto quando vou a um evento e não respeitam o horário estabelecido.

Torna-se primordial ensinarmos aos nossos jovens iniciados e a nós mesmos que:

- o tempo, para nós mortais, não é um bem inesgotável, porém é um bem único e insubstituível .

Togunojibara - Colaborador Direto do News Okitalande

Fale com Togun: togun@okitalande.com.br

A DIFERENÇA DO CANDOMBLE AFRICANO E O BRASILEIRO - 31.03.2005

Desde o tempo de criança, eu ficava cortando e encaixando os mapas do Brasil e da África. Não é que em um belo dia, numa aula de Geografia, uma fessora contou a toda turma que numa era muito distante a África e o Brasil faziam parte de um só continente, e que um grande terremoto ou algo assim havia separado os dois!

Nesse momento eu pensei comigo mesmo - NOSSA! FOI COISA DE DEUS !

Naquele instante entendi toda a história. Ora Deus, Olodumare sabia que os Europeus e outros continentes iriam, futuramente, dizimar aquela cultura, a do candomblé, e que precisava de uma terra onde poderia guardar, com sete chaves, sua história. E assim se sucedeu, na verdade o Brasil que temos hoje guarda todos os segredos de uma África de 500 ou 5.000 anos atrás.

É examente o que faz os cientista quando vão a Lua sem saber nada sobre o mar.

Hoje em dia vemos irmãos da religião tentando resgatar culturas perdidas indo a África, como fez grandes pesquisadores como Pierre Fantumbi Verger.

O nosso grande Gilberto Gil, atual Ministro da Cultura, patrocinado pela CNN, fez uma tragetória de Verger, mostrando, através de um documentário, lugares onde ele esteve para concluir um dos grandes livros " Os Orixas". Nessa tragetória, pra quem assistiu, pode conferir que, por exemplo o OJUBO, assentamento coletivo, do grande Orixá Xango, hoje não passa de uma carroça cheia de restos de tecidos velhos, badames (pinicos), pedaços de madeira e assim por diante. Para quem não viu, pode reconhecer que aqueles são países que perderam totalmente suas identidades, suas economias, sua dignidade.

Em resumo, o que sabemos hoje é que, Olodumare nos reservou todo o segredo de outrora para que pudessemos levar mais adiante a herança que ainda temos a chance de salvar, a do candomblé, para isso temos que nos purificar de qualquer outra forma de mistura cultural, a não ser aquelas já estão impregnadas e que, acredito, não sai mais, como uso de baianas, que foi copiada pelas mukamas no período colonial das suas sinhas, do uso de sopeiras como igbas, pois em outrora todos os Orixás eram assentados no barro, mas suas devotas ao verem as preciosidades (as sopeiras de porcelanas) roubavam-as e davam pra seus Voduns, Inquices e Orixás, e com isso, hoje vemos no Brasil, Orixás que só aceitam louças e outros que permaneceram em sua origem, os assentados em vasilhames de barro, e ai vai, como a feijoada, comida que não existia, criada no Brasil para favorecer um meio de sobrevivência aos negros, pois naquela época, os senhores e toda sua família rejeitavam, em suas mesas, os órgãos dos animais. Os negros, já tendo a técnica de salgar , fazia-no e ao cozer feijão, misturavam os miúdos, criando assim uma refeição que iria torná-los mais fortes no seu dia-a-dia para as suas duras jornadas.

Bem, assim também nasceu a comida preferida de Ogun, que eu paticularmente não ofereço lá dentro a este Orixá, sirvo apenas para o povo cá fora.

Vimos hoje na minha coluna que:

•  Apesar de termos a mama África como ponto de referência no Candomblé, temos que sempre levar em conta, que o que sabemos hoje é tudo que a nossa religião possuia em séculos passados.

•  Que ao escrever o livro Os Orixás , Verger e grandes outros grandes autores traçam um linha do candomblé africano e o do Brasil, nunca interferindo em interpretações no tocante a que linha devemos seguir.

•  Que ao oferecer uma comida, devemos entender se esta era ou não a oferecida pelos nossos ancestrais, mais um exemplo esta na cerveja oferecida também ao Orixá Ogun, na África sua bebida era o ADALAJU , bebida feita com água de canjica misturada com mel.

•  E por último, tentei explicar o por quê venho atacando, nesta mesma coluna, a influências de outras culturas ou religião na nossa.

Veja o artigo O Candomblé e o Sincretismo, onde contém uma tentativa das Yas, na época, de içarmos uma nova bandeira.

Aos meus irmãos mais velhos e aos meus aburos o meu Mutubá, o meu kalofé.

Sergio Cigano - Colaborador Direto e um dos Responsáveis pelo News Okitalande

Fale Com Sergio: sergiocigano@okitalande.com.br

A QUARESMA E O CANDOMBLE - 21.03.2005

O QUE O CANDOMBLE TEM A VER COM A CONDENAÇÃO DOS CRISTÃOS DO PAPA LÁ NO SÉCULO IV?

40 dias foi a pena do papa no século IV aos cristãos que desobedeciam a igreja e se envolviam na festa da carne (hoje conhecido como CARNAVAL - festa oriunda da cidade de Veneza), esses foram condenados a ficarem em quarentena, ficando em jejum de carne, músicas, alegrias, enfim tudo o que representasse o prazer da carne. Ótimo, respeito, mas o que o candomblé tem a ver com a condenação do paganismo, se ao ver dessa religião somos os próprios pagãos?

Já escrevia Dias Gomes em O PAGADOR DE PROMESSAS, condenando, através do personagem Zé do Burro, o ato da mais conhecida cerimônia de Salvador A LAVAGEM DA ESCADARIA DA IGREJA DO NOSSO SENHOR DO BOM FIM.

Mesmo que não estivéssemos abrindo mãos da nossa identidade (Universo), ficam as perguntas para os irmãos:

1- Por que teríamos que achar que Jesus cristo é Oxalá? E se esse Messias seria raspado na cabeça de um Yao? E quais seriam as folhas? Se fosse raspado, qual seriam as folhas de para o fundamento? As folhas de Oliveira ou os espinhos do Cactos?

2- Qual seria o propósito de estarmos cumprindo um dos requisitos da pena (não comer nem derramar sangue)? Visto que é uma data que antecipa a páscoa, ressurreição de cristo; e abrirmos kuras fazendo assim, não derramar sangue animal, e sim humano?

3- Por que estaríamos cumprindo um ritual que nem mesmo os cristãos cumprem? Pois não vemos mais nenhum deles ficarem 40 dias rezando, jejuando ou coisa assim.

Em resumo, nos meus 35 anos de iniciado, nunca me deram uma resposta. Gostaria se algum irmão discordasse, enviasse um e-mail para que eu possa tentar compreender, porque mesmo sendo filho da ignorância, do tempo em que nossos pais falavam "eu corto assim porque meu pai me ensinou que é assim e ponto". Como falei no meu artigo anterior estamos na era da cultura escrita e temos que levantar aquela bandeira içada por grandes zeladoras (Meninha do Gantuá, Olga de Alaketu), na tentativa de deixarmos de ser uma sombra do cristianismo.

Em tempo:

Um pouco do que vem a ser a quaresma: A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, é falada dos quarenta dias do Dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias e Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito.

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades.

A prática da Quaresma data desde o século IV, quando se dá a tendência a constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, ao menos em um princípio, nas Igrejas do oriente, a prática penitencial da quaresma tem sido cada vez mais abrandada no ocidente, mas deve-se observar um espírito penitencial e de conversão.

Sergio Cigano - Colaborador Direto e um dos Responsáveis pelo News Okitalande

Fale Com Sergio: sergiocigano@okitalande.com.br

Somos Mojuba? - 21.03.2005

Nesta época do ano sempre paro e observo muitos Bàbàlórìsás e Yialorisás que recorrem a uma "tradição", que ainda hoje não consigo entender.

Torna-se comum nesta semana, que antecede a festa cristã da páscoa, filhos de santos serem chamados a comparecerem à casa de asé, na sexta feira "santa", muitas vezes para darem osé no Igbá de seus Òrìsás e terem abertas suas "curas".

Confesso aos nossos leitores, ainda não ter encontrado motivo nem tão pouco fundamento para tal procedimento, pois, se não somos uma religião cristã, qual seria o significado deste procedimento? Que beneficio nos traz tal procedimento? O que nos acresce?

Creio que precisamos repensar certos costumes e de uma vez por todas separar o Cristianismos de nossas práticas de asé, eliminar de nossos fundamentos influências que em determinado momento foram utilizadas, numa simbiose de nossos fundamentos com o Cristianismo por motivo até de sobrevivência, que hoje em dia não há nenhuma necessidade. Temos nossa própria identidade e precisamos assumi-la.

Qual o sentido? Somos mojubá?

Togunojibara - Colaborador Direto do News Okitalande

Fale com Togun: togun@okitalande.com.br

Sem Sincretismo - 28.02.2005

Tentando enriquecer o artigo do nosso amigo T´ogun no News, venho dizer que devemos sempre nos lembrar que a nossa religião sobreviveu a grandes "massacres" da sociedade brasileira, que tentou durante anos denegrirem não só o candomblé, mas tudo que vinha da cultura africana. Até o dia 29 de julho de 1983, nossa religião não passava de uma seita que tinha como ponto de referência a cultura cristã. Na data acima citada (29/07/1983) saiu a seguinte manchete no Jornal da Bahia: CANDOMBLÉ DIZ NÃO AO SINCRETISMO, isso teve uma repercussão internacional Mãe Stela de Oxossi entrevistada pelo reporte Wander Prata expõe vários pontos de vista que iriam se tornar a divisória dos tempos de raciocínio para a nossa religião.

Porém os tempos se passaram e, vagarosamente, estamos nos impondo perante a sociedade. Somos herdeiros de uma raça quase vencida pelo preconceito, porém temos que buscar no nosso dia a dia a consciência que não podemos esmorecer nas nossas lutas, pois também herdamo-nas. Isso reflete o quanto somos fortes e o quanto nossos deuses são verdadeiros. Para maior detalhe leia a cópia da página do jornal aqui nesse site. A partir de 1985, com o tratado de Universidade, os universitários Nigerianos vieram contribuir para, finalmente, sairmos da "pré-história" e entrarmos na história, trazendo cursos, devolvendo, oficialmente as primeiras apostilas. Enfim entramos na era da história escrita o que nos impulsiona cada vez mais para a linha da liberdade de pensamentos, independência, questionamentos, reflexão sobre o que somos, enfim estamos na fase do que a história da humanidade teve em outro tempo e espaço geográfico chamada ILUMINISMO, assunto que abordarei na próxima semana. O meu Mutumba, Kalofé a todos os irmãos e simpatizantes da religião. Leia Mais...

Este é o primeiro artigo que a partir desta semana, estará disponível neste site.

Sergio Cigano - Colaborador Direto e um dos Responsáveis pelo News Okitalande

Fale Com Sergio: sergiocigano@okitalande.com.br

Liberdade, Mojubá - 21.02.2005

Não somos tantos, pelo menos quanto desejarimos que fossemos. Mas somos uma quantidade razoável de cidadãos. Por quê então algumas corrente religiosas ditas cristãs , nos ridicularizam, principalmente  aqueles que são os mais ricos, que tem programas de TV e rádio. Perdem horas dos seus caros programas, para nos retratar de maneira patética, para falar de macumbaria para nos remedar. Nossa religião chegou ao nosso continente de maneira trágica, com o sangue de nossos melhores representantes, sangue do nosso povo "povo do axé". Por onde anda a LIBERDADE DE CULTO , direito constitucional, direito sagrado. E o nosso direito de resposta ,não podemos ficar calados. nosso axe sobreviveu a tortura e humilhação de segregação racial, não podemos permitir que haja agora uma segregação religiosa...(continua)....

Deixo para todo o povo do axé "Mukuiu, Motumbá, Kolofé. sou feliz porque sou do Axé.

T´Ògun Oji Bará

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